Sunday, April 28, 2013

A Contratura da Musica Rafeira

A qualidade da musica portuguesa é inegavel. Dos Madredeus aos Xutos, passando pelos UHF, Taxi, Gonzo e acabando nos Fonzi, Moonspell ou Ramp, é impossivel de enumerar tantas e tão boas bandas ou cantores que dignificaram e dignificam o pais. Fado, Musica Popular, Rock, Pop, etc, são géneros músicais em que a qualidade existiu e existe.
Mas como então explicar que 99,9% do que passa nas rádios e televisões seja pura trampa??? Imitações de  imitações, formula ideal para vender, sem dom nem alma, de criatividade minima e onde nem a boa vontade prevalece a um sentido crítico arrasador.
É o pianinho, o orgão, o contrabaixo, uma guitarra que não se ouve, uma secção ritmica desgraçada. Louvado seja o hip-hop que não tem a acustica mágica e uma voz deprimente que nem é boa nem horrivel, nem afina nem desafinada, mas é séria. Simplesmente voz banal, como as e os vocalistas que ora cantam em portugues, ingles e será que em chinês ou coreano, fanhosos, ramelados e indrominados.
Em 2013, de jeito à o regresso dos Blind Zero. 2012, um deserto.   Já 2011 tinha tido um ou outro album de jeito. Mas o que é isto?
Todos querem o sucesso à conta da merda? Não se trata de estilo de musica mas sim de qualidade, essa mesma qualidade que é transversal a qualquer estilo. Qualidade que não existe em Portugal. Já não basta a politica em que uns usam a maioria, já não basta o cinema das 100 desgraças versus o tal filme da qualidade. Agora também a musica? Dos beirais, dos pedais, dos marmelos e das ameixas, que usam os grupos para terem um sucesso e depois tocam a solo, tipo vedetas da lapa?
Mau demais para ser verdade. E depois, à e tal, não ouvem musica portuguesa.. Mas qual musica? A treta que se faz hoje? Até uma Lady Gaga ou o Biber conseguem ser mais coerentes, actuais e musicalmente influentes. Mas o Tony não enche carradas de vezes o atlantico? Precisa de palhaçadas, algarviadas, patacuadas, para ser um sucesso? E os filhos não fazem a musica deles sem imitar o pai?
Que as radios são pagas para passar o "zé das couves" já sabemos. Que as editoras só apostam sem riscos, também, mas e o publico? Aquele que idolatrou o Abrunhosa, o Variações, os Já Fumega, contenta-se com os imitadores do Palma, do Zeca ou do Grupo de Baile?
Pobre país, depois da crise no cinema, na politica, na economia é a crise na musica. Então para aqueles que gostam de rock e por isso procuram algo mais que a voz limpida da Marisa ou o avacalho letrista do Quim Barreiros, é o deserto e são forçados a procurar no estrangeiro onde ainda vai existindo. Cá? Até os grupos que acabaram à anos se reunem para os 20 ou 30 anos de inactividade, para o acústico de musica que já e ligeira.
Exista uma boa colecção dos anos 80 e 90, exista conhecimento de algum lançamento de qualidade que por aí se deslumbre porque senão, vá para uma garagem, toque um instrumento e faça você mesmo. Acredite, se vêm da alma, será melhor que o rafeirismo que por aqui existe. Mesmo que só tu oiças. Que se lixe, pior que o que é publicitado cá no burgo não é de certeza...

Já fui...