Friday, January 2, 2015

KissWARlogie - A guerra da treta de membros, ex membros e fans.

Poucos são os que não conhecem os Kiss. Mas a maioria da imprensa, fans e seguidores não percebe nem sequer se dá ao trabalho de defirir o que é "conversa da treta", comentários para vender e chamar a atenção para a música, do que na realidade se passou e passa com a banda. Pena, mas está cá o "je" para quem quiser ler, meter todos na ordem e dizer umas verdades que nem a "Rolling Stone" que tanta trampa diz sobre o grupo, alguma vez escreveu.

A fama do grupo que sensivelmente a meio dos anos 70 catapultou os Kiss para uma das mais bem sucedidas bandas, sobretudo a nível financeiro (e na minha opinião também nível musical embora isso seja discutível para muita gente), fez depressa vítimas, pois no inicio dos anos 80 já Peter Criss (Bateria) e Ace Frehley (Guitarra Solo), tinham saído. Mas quem conhece a historia da banda, acha isto estranho? Então é porque  não conhece.


É impossivel que Gene Simon e Paul Stanley que se conheciam desde os tempos dos Wicked Lester, compositores de calibre e na loucura do Rock and Roll verdadeiros puritanos (Simon nunca se drogou, não bebe e teve como grande vicio o sexo feminino, enquanto Paul é mais dado ás plásticas e à musica com diversos álbuns a solo e turnes), combinassem com Criss e Ace (o primeiro baterista de formação em Jazz e grande admirador de R&B, enquanto que o segundo foi aquele tipo que apareceu na primeira audição com uma sapatilha de cada cor, passou à frente de toda a gente, ligou a guitarra e quase foi expulso). Por muito que houvesse magia quando tocavam, as clivagens e os excessos, junto com o controlo da lucrativa banda, depressa fizeram mossa.

      
Sou fã de qualquer um dos quatro membros originais dos Kiss. Se do lado de Ace e Peter as drogas, álcool e a enorme pressão do sucesso foram os principais catalizadores, para Gene e Paul a necessidade de manter a banda, o sucesso, lucro e o reconhecimento público que tanto lhes tinha custado a atingir, transformaram-se na chama que ateou o já curto pavio. Portanto, todos foram culpados à sua maneira e é ridículo estar a imputar mais ou menos responsabilidades a qualquer um dos lados, quando os quatro membros originais ainda hoje, apesar das desavenças conseguem estar na mesma sala juntos (tentem fazer o mesmo com os Guns ou Van Halen, lol).    


Seja como for, Criss e Ace saíram e continuaram as suas carreiras a solo. Mas como eles levaram os direitos sobre as musicas que tinham composto e as personagens com as quais se apresentavam na capa dos albums, nas actuações e nos lucrativos "merchandising", o grupo ficou com um problema. Os restantes membros ficavam com um dos melhores discos em mãos (ainda com Ace na capa por razões comerciais e publicitárias mas onde a sua participação é inexistente), mas a digressão seria má, com muitas salas de meia audiência sobretudo nos EUA (apesar dos estrondosos exitos dos concertos na América do Sul). A isto muito se deveu a substituição à pressa das duas personagens "The Catman" e "Space Ace" por o "The Fox" e "Ankh Warrior" de Vinnie Vincent e Carr não estarem à altura das anteriores. Musicalmente os KISS soavam nesta altura ao nível dos seus primeiros anos.

  
O caminho que a banda seguiu foi tirar a maquilhagem. Seguiram-se bons álbuns inseridos no espírito"Air Metal" da época, que sobretudo a partir da entrada de Bruce Kulick como guitarrista melhoraram bastante, conseguindo dois singles de grande sucesso ("Forever" e "Crazy Nights" respectivamente em 1989 e 1988), mas com vendas e concertos muito abaixo da altura em que actuavam com as tais míticas 4 personagens, muito responsáveis por parte do sucesso que a banda conseguiu nos anos 70.


Em 1991 e 1992 os KISS estavam no seu auge enquanto banda "sem mascara". "Revenge" apresentava uma banda completamente adaptada ao novo "hard rock" de grupos como os Guns and Roses ou os Skid Row, aproveitando tanto a moda da musica pesada de Metallica como o re-surgimento de bandas miticas como Aerosmith. O Album é poderoso, cru e excelente, dando lugar a uma turné suficientemente lucrativa para dar lugar a KISS ALIVE III. Na bateria está agora Eric Singer, no lugar do malogrado Carr (morte por doença). Mas como Kulick dizia: "Paul e Gene estavam sempre a falar nos tempos antigos. Diziam que nessa altura era tudo em grande".    


Seria no Kiss Unpluged da MTV (sim, nesta altura dava musica, lol) que a antiga banda se voltaria a reunir. A magia ainda existia e logo as movimentações começam para uma "Reunião", sendo a loucura total.  O album que entretanto os KISS de então gravavam praticamente ficou esquecido e o mesmo não teve grande empenho de ninguém, já que Kulik e Singer, apesar de negociarem a "rescisão contratual" e ficaram com direito a participar no Mundo KISS, além da choruda indemnização, sabiam que o seu tempo na banda chegava ao fim.


E é exactamente de negociações que ninguém fala e deveria-se falar. A re-entrada de Criss e Ace implicaram duras negociações entre os 4 indivíduos e o batalhão de advogados. Um dos aspectos que claramente contou foi a condição financeira dos dois ex-membros, sendo que o primeiro não mais tinha tido qualquer sucesso nos álbuns que lançou, enquanto que o segundo apesar de sempre ter produzido musicas e bandas muito boas, via-se a contas com o fisco. Isso beneficiou toda a máquina dos KISS (praticamente uma franchise), mas sobretudo Paul e Gene num acordo que foi bom para toda a gente na altura, dado que os quatro assinaram.


A turné correu bem e justificou um álbum (Psycocircus). A seguir veio nova ronda mundial e Ace assim que foi dado o ultimo concerto saiu da banda. Estava cansado, anos de abusos de drogas e álcool fizeram mossa  e convenceu-se que o grupo não continuaria depois daquela ultima turné. Enganou-se, continuou com Criss, mas sabe-se que os problemas avolumaram-se desde então, com entradas e saidas, com Singer a ser chamado para fazer datas e outros episódios de birras a fazer lembrar os tempos antigos. Criss ainda gravaria KISS ALIVE IV (já com Tommy Thayer na guitarra), mas seria despedido em seguida.


Desde aí muito se tem escrito, principalmente porque Criss e Ace não perdoam que Gene e Paul tenham continuado a banda, com as suas musicas e as suas personagens. E muito fans são da mesma opinião. Outros não. Thayer é muito criticado por não estar ao nível de Ace, Singer por usar a maquilhagem do seu antecessor (aqui não podem pegar musicaalmente pois Singer é muito superior tecnicamente a Criss), mas existem verdades que são inegáveis. Os KISS continuaram matilhados porque ACE e CRISS assinaram em troca de avultadas somas (e quem sabe uma percentagem no franchise KISS), a cedência das musicas e personagens (inclusive ACE chegou a ser processado devido ao uso do seu nome a solo após sair da banda, mas ganhou a causa).


Acharem que após a cedência de musicas e das personagens a banda não iria continuar maquilhada foi ridículo.  É evidente que Paul e Gene pretendiam esses direitos para poderem continuar com o grupo, o qual continua muito mais lucrativo com o "Catman" e o "Space Ace", do que sem pinturas, além de que Tommy e Eric são mais jovens, nada problemáticos e matilhados só o publico com formação musical e mais puritano notam que Ace e Criss lá não estão (o primeiro sobretudo, o segundo musicalmente nem por isso).


O resto é conversa. Quem anda nisto da musica sabe que "Psycocircus" foi um álbum sobretudo de Paul e Gene (também não se compara aos velhos tempos da banda, embora "Into the Void" the Ace seja uma excelente música), que as queixas de Criss e Ace existiram sobre e desde a concepção do álbum à preparação da turné, passando aos períodos anteriores aos espectáculos (embora a um nivel menor que nos anos 70). Não se conhecem abuso de álcool e drogas, mas pela biografia dos ex-membros se calhar existiu. Sabe-se que ouve cedência de direitos e que possivelmente isso foi uma condição para Ace e Criss entrarem novamente na banda em 1996. E não deve de existir arrependimentos, até porque foi um álbum e  duas garndes turnés mundiais, 3 se contarmos com KISS ALIVE IV.


Só lamento o facto de os Kiss de 1992 nunca se terem reunido e voltado a tocar, sendo que o publico que percebe de musica e que sabe todo o carnaval de publicidade, vendas, etc num mundo da musica onde acordos de milhões selam o destino dos grupos e bandas, sempre o quiseram e ainda o querem. Alem disso, uma banda que consegue estar na mesma sala, por muito que seja improvavel, tem mais hipóteses de voltarem a tocar juntos que aqueles que nem aparecem no Rock hall of fame (que tanta tinta fez correr na imprensa, numa altura em que a toda a gente dava jeito a publicidade) . Deveria ter sido assim; duas formações como os Black Sabath e digressões mundiais enquanto fosse possível com cada uma delas. Não foi, é pena, perdem a música, os fans, o rock, mas ganhou o "dinheiro", as editoras, a banda e os advogados. Podia ser pior, os KISS vão tocando, ACE tem o melhor album a solo de sempre (e o que mais vendeu de qualquer um dos membros da banda a solo) e Criss vai fazendo R&B, aparecendo de quando em vez e escrevendo sobre os tempos na Banda. É o que se pode e não o que se quer. É já é melhor que nada.


Cheers