Stillwater: A melhor banda "Ficional"
O filme autobiográfico dirigido por Cameron Crow "Almoust Famous" tinha tudo para dar certo: Um bom elenco, um excelente argumento a juntar a 4 nomeações para oscares (ganhou o de melhor argumento), 2 Globos de Ouro, 2 Bafta e boas críticas. Só o publico não colaborou pois o filme custou 60 milhões e lucrou 47 milhões.
Mas não é do filme que tratam estas linhas, mas sim da banda criada de propósito para a contenda. Girando à volta da banda Stillwater (que na realidade foi mesmo uma banda nos anos 70 a qual concordou em ceder o nome depois de ter lido o guião) que ainda não estava "no ponto" mas já começava a "dar uns toques" lá para os setentas. Ora, criar esta atmosfera numa banda ficional ainda por cima onde apenas o baixista e baterista eram músicos a serio (John Fedevich e Mark Kozelek, já que o vocalista é interpretado por Jason Lee e o guitarrista Billy Crudup), não foi tarefa fácil, sendo que aqui reside a grande mestria da obra.
Para orientar o guitarrista Russell Hammond, Crow trabalha directamente com Peter Frampton (o qual também participará na composição musical, junto com o próprio C.C.), enquanto que Anne Wilson ( Hart) compõe a restante música e letra.
Na interpretação surge Mike McCraedy (dos Pear Jam) nos solos e Nancy Wilson na guitarra ritmo, junto com a voz de Marty Frederickson (produtor associado a nome como Aerosmith, Ratt e Deff Leppard), Bern Smith e Gordon Kennedy nos restantes instrumentos. A beleza de todo o som é que consegue não apenas captar a magia nos anos 70 mas sobretudo dá a sensação que esta é um banda que já produz boa música mas ainda tem que progredir.
Infelizmente a banda sonora (ouro) não acompanha na minha opinião a excelência do filme pois apenas coloca das 5 musicas dos Stillwater "Fever Dog", ignorando as restantes aparecem na película (Hour of Need, You had to be there, Love Thing e Love comes and goes) o que de facto é uma pena.
Tanto o trabalho de escrita de Crow, Frampton e Wilson são soberbos como a execução dos músicos com realce para as guitarras e a voz, que não sendo da época do filme acabam por conseguir criar junto com o aconselhamento de Peter e Ann (especialistas de décadas de turnés) uma atmosfera extremamente realista de uma banda fictícia anormalmente boa e sólida, mas sem compremeter o caminho que ainda tem pela frente. Brávo, senhoras e senhores.
Dedicado à Memória de Philiph Seymour Hoffman, que no filme faz o excelente papel de crítico e que soube que tinha falecido enquanto escrevia estas linhas. R.I.P